Quando o Sonho vira realidade

Leonardo era um jovem na casa dos 30 anos, com um talento fora do comum.

Ambicionava encontrar a mulher da sua vida, algo que até ao momento nunca conseguira tal proeza, tendo em conta que nunca ou raramente saía de casa.

Certo dia o telefone toca:

- Leo tudo bem ? Que vais fazer hoje? - remata o amigo Ricardo.

- Sinceramente nada programado, no que pensas tu Ricky ?

- Vamos dar uma volta, beber um café numa esplanada junto à praia e ver as miúdas

Sem rodeios combinaram o ponto de encontro.

À hora combinada lá saíram de Lisboa em direcção à Fonte da Telha.

Já pelos bares da praia, Leo olhou em volta à procura de um sitio desocupado onde se pudessem sentar e pensou " Não pode ser ":

Cheguei e vi-te ali sentada, bonita e atraente como sempre.

Ao olhar para ti pensei que existem beijos que devem ser dados, pessoas que devem ser abraçadas, palavras que devem ser ditas e loucuras que devem ser feitas.
A vida passa tão rápido que às vezes, pode ser muito rápida mesmo.
Não há tempo para programar nada.
As coisas mudam, as pessoas morrem o relógio nunca pára de andar.
Não se trata de aproveitar o momento, mas de poder morrer hoje, amanhã ou daqui a cem anos e poder dizer ao mundo:
" Eu fiz tudo! Mesmo aquelas coisas que tinha tanto medo de fazer".

A vida é feita de escolhas, e cada um faz as que acham mais corretas no momento apropriado, mas há que saber aproveitá-la de forma intensa e da melhor maneira possivel.

Aproveitar a vida é algo simples, mas as pessoas tem tendência para complicá-la e acabam por perder tempo com problemas fáceis de resolver.

Mas ali estavas tu, sublime e com vontade de aproveitar o que tinhas na vontade, mas claro dentro dos limites e respeitando a tua vontade moral.

Fazer o que se quer, mesmo que depois, só depois, nos apercebamos que estavamos errados, pois também erramos com certas escolhas e procuramos aprender com isso.

Mas não foi tempo perdido.

Foi a viagem ao mundo dos sonhos do tempo que já foi vivido, mas ali estavas tu, sentada e sublime.

Tentei aproximar-me até ti, em vão.

Não era real, era um sonho tão real que acordei a pensar se estarias mesmo ali.

Não estavas, mas enfim, foi um sonho tão real que parecia realidade nua e crua.

E ali estavas tu!

Cheguei e não te consegui abraçar.

Acordei e tudo não tinha passado de um sonho!

Era mera ilusão.

Voltei a olhar em volta, a Deusa Grega que tinha visto afinal não era real.

Sonhei acordado.

Como é possível olhar para o infinito e sonhar acordado ?
Mas tu existes eu sei que sim.

O sonho era demasiado real para não ser verdadeiro, pois conseguia cheirar-te e sentir o teu respirar.

O perfume permanecia no ar.
Ai como cheiravas bem, esse perfume deixa-me louco e com um desejo enorme de te encontrar.
Mas serás realidade ou utopia ?

Começo a acreditar que és mera fantasia, uma ilusão, um sonhar acordado ou então um desvaneio da minha capacidade mental.
O meu estado mental começa a degradar-se cada vez que olho à volta.

Procuro e não te encontro e acabo sozinho com o Ricardo no bar a beber café.

O sonho é o meu amigo imaginário, mas era tudo tão real, tu estavas ali.

Estavas mesmo, estavas ali.

Mas a vida continua e continuarei em busca do que ambiciono, do que pretendo para a minha vida futura.

Nem sei se fará bem passar a vida a pensar na ilusão da vida em que tu te tornaste na minha cabeça.

Acabo por me levantar passado umas horas e penso em ir para casa.

A estrada de repente ficou tão estreita e apertada mas porquê ?

Apenas bebi um café.
O que vi era tão real que as lágrimas caiem pelo rosto abaixo, fazendo com que os kms demorem horas a passar e o caminho se torne tão apertado.

Não sei mais o que fazer, o que pensar.

Pego no telemóvel e começo a deslizar sobre os contactos guardados, tentando escolher uma amiga que queira sair comigo um dia destes.

Será que desta vez será real ?

Não posso ligar a todas que tenho no telemóvel, são apenas 300.

Se fosse ligar a todas estava bem tramado.
Ligo apenas a 3 ou 4.

Será que desta terei sorte? Será que alguma das minhas amigas vai aceitar conhecer-me melhor e da maneira singelo com que me apresento?

Era bom que isso acontecesse.

Volto a fechar os olhos e lá estás tu.

Têm sido recorrentes os momentos em que me socorres nos sonhos, acolhendo os meus pesares, e o meu pequeno e fiel amigo quase sem páginas.
E quando julgo que não há mais nada de mau que me surpreenda, eis que uma nova bomba é largada sobre o meu colo.
Em cheio e para reabrir feridas que ainda não estavam totalmente saradas.

Foi tão forte que me fez abandonar os amigos, casa, a minha paz e o que pensava estar finalmente a recuperar.

Não fui capaz de articular uma só palavra, de refutar uma única frase.

Tudo foi posto de um modo não natural, mas definitivamente comunicado com a frieza característica de quem não tem em conta os sentimentos alheios.

De não te conseguir encontrar fiquei sem forças, sem animo e sem capacidade de reacção, como se ao não te sentir ficasse sem chão.

Se não te posso ter então não sei o que fazer, continua a ser um sonho ou será a realidade?

Se continuar em frente irei encarar o carrasco, se parar terei sobre as minhas costas o abismo.

A perda é um sentimento recorrente ao qual já me habituei há muito tempo.

Mas a maior humilhação é quando falo com os amigos sobre o que sinto, sobre o que vi apesar de não passar de um sonho. A redução da pessoa ao nível mais básico da existência era desnecessária. Não me considero louco, eu sei o que vi, o que senti.

Fiquei sem vontade de continuar a procurar-te e todos os amigos tentam confortar-me em palavras.
Perdi o apetite.

Não tenho vontade de comer nem quero continuar a existir assim sem te encontrar, sem conhecer a tal Deusa que idealizo e sonho.

Tudo era uma questão de tempo.

Saí para a rua e percorri as ruas iluminadas pelo sol abrasador.

Ao fundo da rua vindo na minha direcção vinha um ser alto, louro e esbelto e não desta vez não estou a sonhar.

Não pode ser sonho desta vez.

Dei um estalo na cara e de facto estou acordado.

E lá vem ela, a desfilar pela rua e a chegar perto de mim.

Meti conversa com ela, perguntei-lhe o nome e timidamente lá me disse Isabel.

Nome bonito pensei eu.
Sem receios contei-lhe o sonho que tinha tido, que já a conhecia em sonhos e que de utopia passou a uma bonita realidade.

A voz doce, meiga e sensual deixa-me completamente louco.
Sinto uma vontade enorme de te calar com um enorme e longo beijo apaixonado, mas não sei se o deva fazer.
Não sei se o vais aceitar bem, tão bem como eu gostaria.

Afinal de contas és igual ao que idealizei, igual ao que sonhei.

Linda por dentro, linda por fora e sem dúvida um ser maravilhoso com quem gostava de passar o resto dos meus dias.

Continuei a falar-lhe de mim e a ouvir o que ela me tinha para contar sobre ela, fiquei maravilhado.
Solteira e boa rapariga e eu já a pensar que poderei ter alguma hipótese de ser feliz e de fazer alguém feliz.
Posso-te conhecer melhor ?
Acreditas no amor à primeira vista ?

Perguntei e fiquei com receio da resposta e reacção, fiquei estático à espera de uma resposta.

Para minha surpresa disse-me que acredita no amor e que já andava de olho em mim pois todos os dias me via a fazer o mesmo trajeto.

Se não é paixão ou amor o que será ?

Como foi bom encontrar-te ao fim de tanto tempo em que sonhava acordado, em que te imaginava diferente.

Afinal de contas és tal e qual como pensei como idealizei e aqui está tu, linda serena e atraente.
As tuas palavras bonitas para mim deixam-me comovido e sem saber o que te falar.

És mais do que uma simples deusa.

Tu és vida tu és paixão... a minha paixão, o meu amor.

Amo-te tanto como nunca amei ninguém.

Quando te vi pela primeira vez, jamais poderia imaginar que me apaixonasse como me apaixonei.
No entanto, este profundo carinho que eu sinto por ti e que chamo de amor, é algo tão intenso e belo que se renova a cada minuto, como se me pudesses encantar a cada piscar de olhos.
Fico a pensar no que representas para a minha vida e vejo que tudo o que tenho e sou tem pelo menos um pedaço de ti. É como se desde o momento em que te conheci, em que as nossas mãos e os nossos lábios se tocaram, tivesse ocorrido uma transformação, uma união das nossas almas, em que eu e tu nos tornamos num único ser.
Agora não consigo ver o futuro sem que nele tu não estejas amor. É como se a minha vida fosse a tua, os meus passos fossem o teu caminhar e os meus desejos os teus desejos e o meu amanhã o teu amanhã.

É como se tudo que eu pense fosse tão bela como tu.
Isto é o que representas para mim, para a minha vida, amar-te e ser-te fiel é o mínimo que posso fazer.
Obrigado por tudo o que tens feito por mim e por estes momentos maravilhosos, cheios de amor, compreensão e carinho que temos vivido e vamos continuar a viver.
Só te posso dizer neste momento que te amo e o que sinto é maravilhoso, um sentimento muito bom com uma sensação muito boa.

Desta vez não és sonho, és a mais bonita das realidades.

Não tenho palavras para descrever o que sinto por ti.

E ali estavas tu, linda e maravilhosa como sempre.

Ser único que me deixou com este sorriso e ar de parvo, apaixonado.

Tão bom sentir o que sinto, como se fosse um adolescente e sim ali estavas tu, com o teu ar doce e sensível.

Afinal de contas não eras sonho eras realidade !!!


Jorge Doce Luar



Sinopse

Leonardo era um jovem que sonhava acordado em busca de encontrar um grande amor.

Certo dia o sonho que para ele era uma grande utopia passa a realidade e o amor nasce.

Um grande amor nasce de um amor à primeira vista, algo impensável para os dias de hoje.


Biografia

Paulo Jorge Oliveira ou Jorge Doce Luar como é conhecido é um jovem escritor, autor, poeta e dramaturgo de 37 anos.

Horizontes Poéticos e no Silêncio da poesia são as duas obras literárias poéticas editadas em livro. Tem várias participações em coletâneas e Antologias de poesia portuguesa contemporânea.

Mais recentemente irá estrear uma peça de teatro de sua autoria, ao qual terá encenação do actor João de Carvalho.